Trabalhar valores de forma democrática e reflexiva em nossa Escola, que tem como objetivo promover o prazer de estudar, nos alunos e alunas, e também o prazer de ensinar nos professores e professoras, é um caminho fértil para a construção da auto-estima e do auto-conhecimento. Queremos uma Escola prazerosa, em que estudantes e docentes queiram freqüentar e na qual tenham prazer com o que fazem e desenvolvem diariamente. Uma Escola cujos membros sintam que ela tem significado para suas vidas.
Dentro do Projeto Conviver temos um espaço para as Assembléias, que busca promover a real democratização das relações interpessoais e algumas questões da gestão da Escola. Acreditamos que dar voz aos próprios sujeitos das mudanças é um bom caminho para apresentar a discussão sobre como esse tipo de experiência, que transforma radicalmente as relações no dia-a-dia das salas de aula e da Escola, pode refletir na construção da cidadania e da democracia.
O objetivo principal é envolver toda a escola em só diálogo, de forma a favorecer o desenvolvimento da autonomia responsável, onde cada indivíduo é responsável pelo todo e cada um participa da elaboração dessas responsabilidades que incluem deveres e direitos.
A cada dia e ano que passa, percebemos, claramente, o amadurecimento que esse processo vem alcançando, não somente quanto à participação e posturas durante as Assembléias, mas, principalmente, o comprometimento no dia-a-dia em relação aos combinados decididos pela maioria.
Outro momento bastante significativo que estamos percebendo como fruto desse processo são as “mini-assembléias”, que acontecem por turma, ou seja, quando o assunto é pertinente àquele grupo é discutido e, depois, feito um resumo na assembléia geral.
Outra observação bastante interessante é vermos o quanto ser dirigente deste processo também passou a ser importante para eles. No inicio, a compreensão da condução das assembléias ficava muito vaga nas experiências que eles traziam. Hoje, existem vários candidatos a escriba e a secretário, gerando uma mobilização e movimento bem democrático e participativo.
Mas, o grande ganho e crescimento é refletido de forma prática na postura dos nossos professores, educadores, auxiliares, ou seja, todos os adultos envolvidos neste processo, aprendendo a respeitar e, de fato, compartilhar as suas espectativas, dúvidas e interrogações de comportamentos hoje muito mais verdadeiros; gerando um movimento de respeito mútuo, sendo tanto educandos como educadores atores do mesmo processo, onde todos têm participação especial e não são meros coadjuvantes de um script previamente elaborado.
Ver, hoje, crianças da Turma 2, de 4 a 5 anos, perguntando, com curiosidade, se “hoje tem assembléia” e poder ter a certeza que a construção do respeito por si próprio é inerente ao ser humano, e que, com certeza, estas crianças serão cidadãs e cidadãos críticos, conscientes de seu papel político e social na construção de uma vida mais justa e feliz para cada um e para todos os membros da sociedade em que vivem é a maior recompensa e valorização do nosso trabalho.
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